segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O jardineiro


Só colhia as rosas ao anoitecer porque durante o sono elas não sentiam o aço frio da tesoura. Uma noite ele sonhou que cortava as astes pela manhã, em pleno sol, as rosas despertadas gritando e sangrando na altura do corte das cabeças decepadas. Quando ele acordou, viu que estavá com as mão sujas de sangue.

Os gatos


Ele fixaria em Deus aquele olhar de esmeralda díluida, uma leve poeira de ouro no fundo. E não obedeceria porque gato não obedece. Às vezes, quando a ordem coincide com sua vontade, ele atende mas sem a instintiva humildade do cachorro, o gato não é humilde, traz viva a memória da liberdade sem coleira. Despreza o poder porque despreza a servidão. Nem servo de Deus. Nem servo do Diabo.

Mas espera, já estou me precipitando, eu pensava naquela fábula da infância: é que Deus Nosso Senhor pediu água ao cachorro que levou lindamente o copo e com sorrisos e mesuras foi levá-lo ao Senhor. Pedido igual foi feito ao gato e o que o gato fez? O fingido escolheu um copo todo rachado, fez pipi dentro e dando gargalhadas entregou o copo nojento na mão divina.

Acreditei na fábula, na infância a gente só acredita. Mais tarde, conhecendo melhor o gato, descobri que ele jamais teria esse comportamento, questão de feitio. De caráter. Ele ouviria a ordem e continuaria deitado na almofada, olhando. Quando se cansasse de olhar, recolheria as patas como o chinês antigo recolhia as mãos nas mangas do quimono. E mergulharia no sono sem sonho, gato sonha menos que cachorro que até dormindo se parece com o homem. Outro ponto discutível: dando gargalhadas? Mas gato não dá gargalhadas, só cachorro. Meus cachorros riam demais abanando o rabo, que é o jeito natural que ele têm de manifestar alegria, chegavam mesmo a rolar de rir, a boca arreganhada até o último dente. O gato apenas sorri no ligeiro movimento de baixar as orelhas e apertar um pouco os olhos, como se os ferisse a luz. Esse o sorriso so gato _ ô bicho sutil! Indecifrável. Inatingível.

Nem pior nem melhor do que o cachorro, mas diferente. Fingido? Não, ele nem se da ao trabalho de fingir. Preguiçoso, isso sim. Caviloso. Essa palavra saiu de moda mas deveria ser reconduzida, não existe melhor definição para a alma de um felino. E de certas pessoas que falam pouco e olham. Olham. Cavilosidade sugere esconderijo, cave - aquele rêconcavo onde o vinho envelhece. Na cave o gato se esconde, ele sabe do perigo. Mas o cachorro se expõe, inocente.


Lygia Fagundes Telles - A Disciplina do Amor.

domingo, 29 de novembro de 2009

Ciúme Fatal


_ Quero pedir um favor... - Murmurou
_ Diga, meu general.
_ Quero pedir a todos - fez um gesto largo com a mão, que ainda segurava o punhal - que, depois que eu for executado por este crime sem motivo e sem perdão, falem de mim com...benevolência...porque...porque tembém fui vítima...Quero que contem minha história...e digam que só amei uma vez na minha vida, muito, muito...Mas, para minha desgraça, não soube amar...
O general silenciou por um instante, olhando Desdêmona. No corredor, o único som que se ouvia era o dos soluços de Emília.
_Quanto ás minha façanhas de guerreiro, todo mundo as conhece - prossegiu, com a voz completamente rouca._ Não precisam falar delas. Mas há uma apenas, uma que ficou esquecida e eu gostaria que contassem.
Otelo respirou fundo e encarou cada um dos presente, antes de expor o fato:
_Um dia, andando pelas ruas da cidade se Alepo, na Síria, encontrei um cão raivoso, que amedrontava a população. Então... para salvar aquela gente...agarrei o animal pelo pescoço...e...matei-o...assim...
E, antes que alguém pudesse pensar em detê-lo, ergue o punhal com ambas as mão e cravou-o mortalmente na
garganta.


Otelo - William Shakespeare

sábado, 28 de novembro de 2009



Perguntei a um sábio,
a diferença que havia
entre amor e amizade,
ele me disse essa verdade...
O Amor é mais sensível,
a Amizade mais segura.
O Amor nos dá asas,
a Amizade o chão.
No Amor há mais carinho,
na Amizade compreensão.
O Amor é plantado
e com carinho cultivado,
a Amizade vem faceira,
e com troca de alegria e tristeza,
torna-se uma grande e querida
companheira.
Mas quando o Amor é sincero
ele vem com um grande amigo,
e quando a Amizade é concreta,
ela é cheia de amor e carinho.
Quando se tem um amigo
ou uma grande paixão,
ambos sentimentos coexistem
dentro do seu coração.
William Shakespeare

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

domingo, 22 de novembro de 2009

19 anos, 5 meses e 15 dias sem Cazuza


Nos ultimos dias tenho ouvido muito³²¹ Cazuza, tenho tirado varias músicas dele no violão, já vi aquele filme "O Tempo não Para" umas mil vezes, e esses dias eu vi um especial dele, na quele programa "Por Toda a Minha Vida", a eu chorei. Cazuza era tão genial, tão bonito, tão vivo! Eu queria muito ter conhecido ele, e uma pena que eu tenha nascido dois anos depois que ele morreu =/, mas fico grata por terem me mostrado as músicas dele. Cazuza amor eterno =D



Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu to carente''

Eu sou manchete popular'
Tô cansado de tanta babaquice, tanta caretice
Desta eterna falta do que falar
Se ninguém olha quando você passa você logo acha que a vida voltou ao normal

Aquela vida sem sentido, volta sem perigo
É a mesma vida sempre igual
Se niguém olha quando você passa você logo diz 'Palhaço'
Você acha que não tá legal
Corre todos os perigos, perde os sentidos
Você passa mal
Vida louca vida

Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leveVida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa
Se ninguém olha quando você passa você logo acha 'Eu tô carente''

Eu sou manchete popular'
Tô cansado de tanta caretice, tanta babaquice
Desta eterna falta do que falar
Vida louca vida

Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve
Vida louca vida
Vida imensa
Ninguém vai nos perdoar
Nosso crime não compensa

http://www.youtube.com/watch?v=hN0ufcoOI4k

A Morte não dói, o que dói é estar vivo e não poder viver. (CAZUZA)