domingo, 29 de novembro de 2009

Ciúme Fatal


_ Quero pedir um favor... - Murmurou
_ Diga, meu general.
_ Quero pedir a todos - fez um gesto largo com a mão, que ainda segurava o punhal - que, depois que eu for executado por este crime sem motivo e sem perdão, falem de mim com...benevolência...porque...porque tembém fui vítima...Quero que contem minha história...e digam que só amei uma vez na minha vida, muito, muito...Mas, para minha desgraça, não soube amar...
O general silenciou por um instante, olhando Desdêmona. No corredor, o único som que se ouvia era o dos soluços de Emília.
_Quanto ás minha façanhas de guerreiro, todo mundo as conhece - prossegiu, com a voz completamente rouca._ Não precisam falar delas. Mas há uma apenas, uma que ficou esquecida e eu gostaria que contassem.
Otelo respirou fundo e encarou cada um dos presente, antes de expor o fato:
_Um dia, andando pelas ruas da cidade se Alepo, na Síria, encontrei um cão raivoso, que amedrontava a população. Então... para salvar aquela gente...agarrei o animal pelo pescoço...e...matei-o...assim...
E, antes que alguém pudesse pensar em detê-lo, ergue o punhal com ambas as mão e cravou-o mortalmente na
garganta.


Otelo - William Shakespeare

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